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quinta-feira, 19 de julho de 2012

XVIII (Olavo Bilac)

XVIII



Dormes... Mas que sussurro a umidecida
Terra desperta? Que rumor enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, à túnica estendida?
São meus versos! Palpita a minha vida
Neles, falenas que a saudade eleva
Do meu seio, e que vão, rompendo a treva,
Encher teus sonhos, pomba adormecida!
Dormes, com os seios nus, no travesseiro
Solto o cabelo negro... E ei-los, correndo,
Doudejantes, sutis, teu corpo inteiro...
Beijam-te a boca tépida e macia,
Sobem, descem teu hálito sorvendo...
Por que surges tão cedo a luz do dia?!...



POESIAS: Via Láctea.

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